Em desenvolvimento há dois anos num escritório de Sidney, Austrália, o Google Wave não precisou de alguns dias para se tornar o assunto digital mais comentado do mês. O aplicativo de colaboração instantânea do Google causou comoção internacional quando a primeira leva de convites externos foi liberada – tornando-se, em questão de minutos, um dos assuntos mais discutidos não apenas no Twitter como em toda a web. Aberto para desenvolvedores há alguns meses, a versão que chega ao computador do usuário comum – e privilegiado com um convite – ainda é bastante inicial, incluindo apenas sua base de funcionalidades.

Já é o suficiente para que os convites sejam disputados até por leilão no eBay, provando que o Wave caminha para se tornar uma importante ferramenta nos ambientes de trabalho deste início de século.
“A gente podia ficar mais um ano desenvolvendo, mas como é prática no Google, liberamos o serviço bem antes dele estar finalizado para estudarmos o impacto causado pelo uso contínuo”, explicou Lars Rasmussen, um dos criadores, ao lado do irmão Jens, do Google Wave.Não é só o custo tecnológico que está sendo analisado nesta fase de implementação, mas a própria forma como os usuários vão usar o serviço.

Combinando funcionalidades comuns tanto ao e-mail quanto aos comunicadores instantâneos, o grande foco do Wave está nas pequenas facilidades que tornam o trabalho em equipe mais ágil e prático. Em vez de copiar destinatários na mesma mensagem, você adiciona cada um deles no mesmo fluxo de dados, a “onda” do Wave. A praticidade está no fato de que, pra cada recipiente copiado, o servidor de e-mail precisa criar uma nova mensagem individual – enquanto o Wave é único e editável por todos. Isso implica em um texto exibido sempre da mesma forma para todo mundo e elimina problemas como pessoas diferentes editando o texto ao mesmo tempo, anexos que precisam ser reencaminhados o tempo todo e destinatários copiados no meio da conversa que precisam se achar em um universo de informações prévias até encontrarem o fio da meada.

Lars explica que o Wave torna-se mais fácil de entender a partir de seu uso prático: “Uso-o para o trabalho, o dia inteiro, todos os dias. A maior parte das minhas discussões de trabalho acontecem no Wave agora.” Um dos problemas que a grande maioria dos usuários encontra atualmente no jovem aplicativo é justamente a falta de conhecidos ou pessoas de seu círculo de amigos inscritos no site – com os convites limitados a 8 por usuário, fica difícil transpor um grande catálogo de endereços à lista de contatos do comunicador. “As pessoas se cadastram, mas logo saem porque seus amigos ainda não estão lá”, diz Lars.

Realmente, é complicado entender o Wave sem usar suas principais funcionalidades, como a colaboração em tempo-real – que permite que participantes de um mesmo Wave acompanhem o que está sendo digitado antes mesmo da edição terminar. Para os mais experientes, lembra a conversa em fóruns ou listas de discussão. Esse problema não ocorre com uma geração mais nova: “Trouxemos ao nosso escritório 30 crianças de um colégio local para que fizessem um exercício de redação criativa e em minutos elas já estavam familiarizadas com a ferramenta.”
Sobre o que vem pela frente, Lars revelou que o grande foco do desenvolvimento até então eram os Waves e a forma como elas aconteceriam. Desde o pré-lançamento do produto, no entanto, o gerenciamento ganhou maior importância na lista de prioridades da equipe – que ainda inclui a integração do software com redes sociais e blogs, além da possibilidade de comunicação por voz. “Parece que já passou um ano”, diz Lars, sobre a avalanche de trabalho surgida desde que os primeiros convites começaram a ser enviados. Apesar de alguns sites afirmarem que o Wave ainda é “mais complicado que física nuclear”, Lars cita frase do criador da internet, Tim Berners-Lee, que dizia que o mais difícil de entender é “o poder da ideia”.

Mais informação sobre o google wave aqui.

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